segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

DOGMA 95


Os idiotas, Lars Von Trier, 1998



O manifesto cinematográfico lançado por Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, em Copenhagen, Dinamarca, 1995, assume algumas regras chamadas também ironicamente de "votos de castidade". São elas:

1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).

2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).

3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).

4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).

5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.

6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).

7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
8. São inaceitáveis os filmes de gênero.

9. O filme deve ser em 35 mm, padrão.*

10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.


* Em 2005 Lars acrescentou novas regras para a produção de seu projeto The Advanced Party onde abre a possibilidade de gravação em linguagem digital.

PIP VÍDEOS: MAKING OF

Beta Material
Direção: Angelo Cruz
Câmera: Marlon de Toledo
Fotografias: Carmen Jorge e Vivian Mortean







Experimento 2
Direção: Vivian Mortean
Câmera: Marlon de Toledo
Fotografias: Angelo Cruz







Projeto Artes
Direção: Luan Voigt
Fotografias: Luan Voigt







CLIPIP
Direção: Carmen Jorge
Câmera: Marlon de Toledo
Fotografias: Angelo Cruz








Todos os videos estão em fase de produção e estarão disponíveis online em breve.

.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

VIDEO ART INFO

Informativo sobre o desenvolvimento da video arte como meio expressivo

Angelo Cruz*




A video arte é uma linguagem relativamente nova. Os primeiros registros de expressão a partir desse meio aparecem em Nova York em meados dos anos sessenta, com o surgimento de equipamentos portáteis que possibilitaram certo experimentalismo até então bastante dificultoso devido à questões técnicas. Nam June Paik, artista coreano radicado nos Estados Unidos, com formação nas Universidades de Tóquio e Munique, adquiriu esse primeiro modelo chamado Sony Portapak, e em 1965 fez imagens da visita do Papa Paulo VI à Nova York, apresentando-as num bar do Greenwich Village no mesmo dia. Alguns historiadores apontam esse fato como o marco para o surgimento da video arte, sendo necessário porém levar em consideração o trabalho experimental pioneiro de outros artistas do mesmo período. Algumas semanas depois da exibição das imagens de Paik, Andy Wahrol apresentou uma mostra underground de video arte. Os experimentos de Fred Forest com o mesmo tipo de equipamento na França de 1967 também são citados como fato importante, assim como a incorporação da linguagem do video nas instalações com aparelhos de TV do alemão Wolf Vostell, integrante do grupo internacional Fluxus, durante o mesmo período. Todos esses artistas viviam o contexto da então novíssima arte conceitual, assim como da performance art, utilizando o video, novo veículo de expressão, para discutir questões importantes para a época. A video arte deve ser lida na esteira das conquistas minimalistas, mas também da arte pop, pela sua recusa em separar arte e vida por meio da incorporação das histórias em quadrinhos, da publicidade, das imagens televisivas e do cinema.



A rápida evolução dos equipamentos e softwares de edição, assim como a veiculação em redes televisivas popularizaram a linguagem entre artistas e público. Os anos setenta foram um prato cheio para video investigadores e as relações com a arte conceitual e a performance continuaram fortes. Acontecimentos como o Videoviews (1970), programa da San Jose State TV studios promoviam diálogos entre videos de diversos artistas, entre eles Bruce Naumann, Joseph Beuys, Chris Burden, Dennis Oppenheim e Vito Aconcci, nomes importantes para a arte de maneira geral, trazendo o video para o olho do furacão. Registro de performances em video se tornaram comuns e fortaleceram as duas linguagens durante os anos setenta, período de proeminência para os americanos Bill Viola e Peter Campus. A rede americana MTV, fundada em 1981, teve importante papel no desenvolvimento dos chamados videoclipes, febre entre as gerações jovens, revolucionando a visualidade da época e própria maneira de se pensar a obra visual. Na sequência, a revolução digital dos anos noventa ampliou os horizontes e inovou os conceitos da produção audiovisual; outro fator importante foi o surgimento e desenvolvimento da internet, que tornou a video arte uma linguagem de fácil produção e circulação, extremamente popular na web nos dias de hoje.



No Brasil, o desenvolvimento da videoarte remete à expansão das pesquisas nas artes plásticas e à utilização cada vez mais freqüente, a partir dos anos 1960, de recursos audiovisuais por artistas como Antonio Dias, Artur Barrio, Iole de Freitas, Lygia Pape, Rubens Gerchman, Agrippino de Paula, Arthur Omar, Antonio Manuel e Hélio Oiticica. Apesar das controvérsias a respeito das origens da videoarte entre os brasileiros, os estudos costumam apontar Antonio Dias como o primeiro a expor publicamente obras de videoarte - The Illustration of Art - Music Piece, 1971.
Hoje a linguagem do video se desdobra em diferentes nomenclaturas e formatos. As formas de apresentação são classificadas em Single channel e installation, sendo a segunda bastante comum na atualidade, trazendo para a video arte discussões da escultura, arquitetura, arte eletrônica, VJ art e arte digital, fazendo emergir categorias como video poetry e video sculpture. A presença do corpo, oriunda das origens da video arte, continua forte, bastante pela relação cotidiana do público com o cinema e a televisão, contribuindo para as discussões da performance art hoje. Toda uma geração de videoartistas se estabelece com muita potência, solidificando as questões conceituais dessa linguagem desde sempre híbrida. No menu indispensável estão Mathew Barney, Eija Liisa Ahtila, Gary Hill, Pipilotti Rist, Marina Abramovic, entre muitos. Entre os principais centros de discussão da video arte hoje estão o the experimental television center (Nova York), LUX (Londres), Netherlands Media art institute (Amsterdam).




Imagens:

1 Nam June Paik | TV. Cello with Charlotte, 1971;
2 Bruce Nauman | Studies for Holograms, 1970;
3 MTV Video Music Awards, 1984;
4 Eija-Liisa Ahtila | The house, 2002;


_______________________________________
* Aluno do curso de Bacharelado em artes visuais da UFPR e performer da PIP Pesquisa em dança (www.pip.art.br).

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

SOBRE A OFICINA MINICLIPES DE DANÇA

por Vivian Mortean

















Sendo esta uma atividade ainda escassa em Curitiba, procuramos negociações entre a dança e as possibilidades da edição do vídeo ao pesquisar de maneira colaborativa percepções e possíveis relações que dizem respeito ao vídeo, à dança e ao corpo.

Uma das maneiras encontradas para difundir e fomentar a primeira parte deste estudo foi através da oficina Miniclipes de Dança ministrada por Marcus Moraes (RJ) cujo objetivo era compreender um pouco da linguagem do vídeodança experimentando a troca entre as linguagens artísticas - vídeo e dança/movimento.

A oficina gratuita realizada nas dependências da PIP (Galeria 1 – rua Treze de Maio, 220 – Curitiba) teve 40 inscritos. Dentre estes, 10 pessoas de diferentes áreas foram selecionadas para participar, entre os dias 08 e 12 de dezembro, das 40h dedicadas a estudo teórico/prático. Foram realizadas experimentações, emergindo esboços de videodança os quais poderão direcionar para futuros aprofundamentos e levantamentos de discussões a respeito do assunto. Como é grande a procura de informação a respeito da relação corpo-câmera, percebemos a necessidade de trazer este assunto sempre em pauta.

Para dar continuidade convido a todos para desbravar e cultivar esta possibilidade que a relação dança-corpo-vídeo propõe, na qual o corpo que dança é matéria artística e diante de uma câmera desdobra-se para uma nova linguagem: videodança.







VIDEOS CRIADOS DURANTE A OFICINA

BERNARDA - Yara Barros e Giorgia Consceição



.

domingo, 11 de janeiro de 2009

SOBRE O 220VP




A trajetória da PIP a partir de 2004 aproximou-nos de discussões que se erguem nas intersecções entre a dança e outros campos da arte contemporânea. O 220VP surge como uma proposta de relacionar os estudos do video e da performance como linguagens artísticas em seus desdobramentos variados, assumindo o corpo do artista como ponto de partida. A abordagem teorico-prática pretende fomentar discussões a respeito das questões fundamentais das duas linguagens e da articulação entre elas como maneira de expressão artística, além de organizar debates e mostras de trabalhos processuais do grupo, buscando formar opiniões e audiência para a performance e para a vídeo arte. A organização das mostras inclui discussões de curadoria e crítica dos trabalhos. O período das atividades se situa entre janeiro e junho de 2009, com possibilidades de ampliação de acordo com o interesse dos pesquisadores. Todas as atividades são gratuitas e fazem parte do projeto TECNOLABORATERRITÓRIO, contemplado pelo edital de pesquisa de linguagens em dança da Fundação Cultural de Curitiba. A coordenação do grupo sera realizada por Angelo Cruz (biografia no site www.pip.art.br).

Os encontros acontecerão às segundas feiras, sempre às 19:30 horas na sede da PIP que fica à Rua Treze de maio, 220, térreo, com início no dia 26 de janeiro.

Participações espontâneas podem ser agendadas pelo email grupo220vp@gmail.com.



.